26 de dezembro de 2009

Lições de um dia de Natal

25 de dezembro. Feriado. Um dia típico para reunir a família e os amigos para descansar. Como jornalista não tem feriado, lá fui trabalhar. Saí da piscina para um calor de quase 38º e fui até a rodoviária esperar um 'homem' chamado Vitor. Minha missão era registrar o reencontro dele com sua família. Porém, Vitor não era qualquer pessoa, era um sobrevivente..um verdadeiro herói. A imprensa aguardava ansiosamente por sua chegada para poder registrar aquele momento especial. De tudo, o que mais me chamou a atenção foi o sorriso tímido e doce do filho de Vitor. O menino de 12 anos me disse em entrevista que a primeira coisa que iria dizer a seu pai era que o amava e agradecia por ele voltar com vida para casa. Pode parecer pouco para quem nunca passou um susto desses, mas quando Vitor finalmente chegou...não me aguentei. A Carol se deixou levar pela emoção e naquele dia tão especial, do nascimento de Cristo, posso dizer que aquele homem e eu, nascemos de novo. O abraço do filho, o choro da mãe e da esposa, a felicidade dos amigos e até dos desconhecidos que pararam, hipnotizados, com aquela cena de amor puro. A pauta rendeu, e muito, mas rendeu o que precisava para fechar meu 2009 com uma chave bem dourada.



2009 foi um ano que aconteceu de tudo um pouco. Pensei em escrever no último texto do ano, minhas expectativas para o ano 10, mas após esta lição, senti na pele que os problemas que pensamos ter, não são absolutamente nada (na-da). Aprendi este ano que se temos SAÚDE, somos os seres mais sortudos do mundo; se temos uma família unida, somos abençoados por Deus; se temos emprego, somos privilegiados por alguém confiar na realização das 'tarefas' que nos são passadas diariamente. Se temos amigos, mas aqueles que nos fazem chorar de emoção, independente de onde estiverem, a vida fica muito mais colorida. Nos dá o gás necessário para - a cada dia - seguir em frente com a plena certeza de que a cada passo, tudo será melhor. É com eles que vamos atrás de nossas maiores 'utopias' ou que realizamos simples desejos como encontrar um pote de ouro no fim do arco-íris ou vê-lo em um belo fim de tarde na praia do Laranjal.



Definitivamente um ano que me marcou. Apesar das perdas, ganhei...ganhei muito mais. APRENDI, tirei lições para minha caminhada em apenas 12 meses, mas que me transformaram em uma outra criatura. A Carol que vai escutar mais do que falar; a Carol que vai pensar (um pouquinho mais) antes de agir no impulso; a Carol que vai fazer por ela. 2010 está aqui, batendo em minha porta e eu tenho certeza que - eu nunca quis tanto - que algo NOVO chegasse. Pois é, ela está aberta, arrumada e eu, devidamente com o sorriso no rosto para dizer: SEJA BEM VINDO ano 10, o ano da Carol. O ano da Carolina.

12 de dezembro de 2009

"A primeira vez...

a gente nunca esquece." Não só a primeira, mas a segunda, terceira e por aí afora. Tudo que a gente nunca viu, experimentou, ou viveu dá um medo. Aquela minha 'velha' teoria dita aqui das 'borboletas no estômago' milhares de vezes, porém esta minha 'primeira' foi mais do que especial. Amo o que faço. Amo crianças. Amo viajar. Amo conhecer pessoas novas. Todos estes elementos se uniram em uma tarde chuvosa de sexta-feira, em que fui até Morro Redondo, uma cidadezinha de seil mil habitante para cobrir a primeira Feira do Livro do município.

Até aqui nada de novo, mas ao terminar a entrevista com uma menina, para minha surpresa, escuto a seguinte frase: 'tia, me dá um autógrafo?'. Na hora pensei: 'não pode ser pra mim' e o 'pior' é que era! O friozinho começou a bater e quando vi, cerca de 20 crianças estavam com todos os livros que acabaram de comprar, apontados para que eu desse a minha assinatura.


Na verdade pode parecer um ato de 'estrelismo' contar isto, mas o ponto que quero chegar é que ouvi algumas dizendo assim: "'ah, fulana..pede para ela o autógrafo,eu tenho vergonha". O sorriso daquelas crianças que eu NUNCA tinha visto na vida e estavam felizes por eu estar lá; por quererem alguma recordação minha, mostra que o meu 'papel' na sociedade é muito mais importante do que possa parecer. As crianças (e os adultos também), pedindo para tirar uma fotografia comigo, nossa...tudo aquilo me deixou feliz e me 'coloquei' no lugar de tiete ao saber que, no mesmo dia, em uma rua de Pelotas, o cara mais competente da TV brasileira (o qual admiro muito) estava ali, entregando uma casa em seu programa. Como queria conhecer o Huck, tirar uma foto, pedir um autógrafo.



Certamente a sensação que teria se ficasse cara a cara com o 'marido da Angélica' seria a mesma que aquela menina de sorriso doce me pediu um autógrafo. Pequenas coisas, mas que tem um valor...indescritível!

2 de dezembro de 2009

- "Carol, me ajuda a montar a árvore de Natal?"
- "Hã? Já? Meu Deus, é Natal!"

É, parece bobagem, mas o Natal está ai e pode-se ver por toda parte. 2009 voou e este ano, mais do que qualquer outro, deveria sim ter voado, para ir embora de uma vez. Engraçado que sempre (desde que me conheço por gente), as pessoas fazem promessas, ou as pagam por coisas que pediram, para ficarem 'quites' com o Cara lá de cima, mas geralmente isto acontece nos dois últimos dias do ano, para entrarmos com o pé direito.


Tudo isto até serve para mim, porém 2009 foi um ano atípico e por isto, resolvi mudar, traçei minhas metas e começei os agradecimentos desde ontem. Tenho quatro semanas para fazer tudo aquilo que tive preguiça ou que não tive coragem ao longo de 11 meses. Em meu quarto, acabo de colar minha lista de 'promessas' com tudo que devo tentar fazer até dia 31.

O conteúdo? De tudo um pouco, desde pegar coisas que emprestei e ainda não voltaram para mim como desabafar com certas pessoas. É, tudo milimetricamente numerado por ordem de importância. Parece coisa de maluco, mas como dizem que 'cada um tem um pouco de loucura', resolvi propor este desafio para mim e ver se sou capaz de alcançar tudo aquilo que desejo, mesmo que para alguns possam ser coisas tão pequenas.


Metas existem para serem cumpridas. Não alcançadas, jamais podemos nos sentir fracos, incapazes, a não ser se desistirmos de tentar. Minha lista está aqui, me encarando e já arremanguei as mangas e começei com gás total..Pode apostar que sim!

17 de novembro de 2009

Simplesmente

A vida parece, muitas vezes, correr mais do que o próprio relógio. Muitos vivem escravos daquele pequeno aparelhinho com dois ponteiros que podem deixar qualquer um maluco. Ultimamente me encaixo mais na primeira frase. Na última semana, em que tantos fatos aconteceram, resolvi esquecer do tempo, daquele tempo do relógio e não o do aprendizado. Convoquei duas pessoas especiais para esquecerem do 'tempo' comigo e fomos ao teatro. AHHH, o teatro.

Por incrível que possa parecer, minha cidade tem dois magníficos teatros e justamente para o que estes foram construídos, é o que menos os pelotenses podem apreciar. A peça:
Simplesmente Eu. Clarice Lispector. Monólogo escrito e dirigido pela atriz Beth Goulart. Por uma hora assisti no palco do teatro mais antigo do Brasil em funcionamento a minha escritora predileta..ali, vivinha da silva. SIM! A mulher responsável pela frase de abertura do Bubble estava naquele palco, contando suas experiências, angústias e as aventuras de ser escritora.


Simplesmente tudo de bom, pois o relógio naquele momento, era o objeto mais inútil para mim. O tempo congelou do lado de fora do teatro e pude mergulhar em um mundo que, sinceramente, poderia ficar imersa por muuito mais tempo. Como já ouvi uma vez: "simplesmente tudo, totalmente completa". É assim Clarice.

6 de novembro de 2009

Mude

Mudei o corte do cabelo. Mudei de cor preferida. O lugar da cama.
Mudei minhas fotos. Mudei de ritmo musical. O perfume predileto.
Mudei a frequência. Mudei meu quarto por inteiro. Renovei.
Mudei de pensamento. Mudei minha oração. Mudei de prioridade.
Mudei. Mudei muita coisa em minha vida, mas não mudei minha essência, só mudei em aspectos que, por menores que possam ser, fazem toda diferença.


Mude. Dê um passo a frente.

2 de novembro de 2009

As estrelas de Satolep

Confesso que minha cabeça está fervendo. Não de raiva ou qualquer outro sentimento negativo. Ferve para tentar escrever, em poucas linhas, o que REvivi ontem. Como relatei, a profissão que escolhi me proporciona momentos de extrema alegria mas também de muita tristeza. Em 15 de janeiro vivi este outro lado da moeda de ser jornalista. O acidente com a delegação do Brasil foi, até hoje, o maior acontecimento triste que tive que 'contar' aos outros. Hoje, percebo que fiz parte de um dos maiores acontecimentos históricos desta cidade e quem sabe do mundo esportivo?!

"As coisas não acontecem por acaso", já diria algum poeta, mas se aconteceu tudo isto, algum aprendizado TODOS os envolvidos - direta ou indiretamente - tiveram. Eu tive...e como. Passados 10 meses, dois colegas de profissão lançaram um livro com esta história, com este 'fato jornalístico'. Para minha surpresa, ao abri-lo, a primeira imagem que vejo: Eu. Eu? Eu!

O registro foi feito uma semana antes do acidente, na chegada do goleiro Danrlei e que foi contra-capa de um dos jornais mais importantes do Estado. Não pude conter minha alegria em saber que, mais do que nunca, faço parte desta triste história, mas que me serviu como uma bela lição. Para selar tudo isto, nada melhor do que ouvir "Estrela, Estrela" ao som do violão que ecoou no teatro Guarany na voz de seu criador, Vitor Ramil. Presente. Duplo.

A 'estrela' que Ramil cantou é a mesma que reluz o brilho dos guerreiros que se foram. A 'estrela' que como ele diz: "Brilhar, brilhar, quase sem querer. Deixar, deixar, ser o que se é"