19 de março de 2015

A arte do imprevisível

A fascinante dança de não saber o próximo passo para seguir no 'ritmo perfeito', segundo Anitta. 
A deliciosa sensação da pergunta interna 'e agora?'. 
A nebulosa dúvida do 'e se?'


Aquele frio na barriga, a borboleta no estômago, o arrepio na nuca. A mágica troca de olhares. Insisto nas minhas escritas em falar sobre o olhar, o '43' que Paulo Ricardo cantou e ele lá tem seus poderes, o de ser trocado por palavras.

O instigante desejo de tentar adivinhar o que virá, sem ao menos ter a certeza do que virá (e se virá). 'Se', Djavan assim disse e eu jogo no mesmo time: 'insiste em zero a zero e eu quero um a um'. Se tem algo que tem tirado meu sono é saber que prever algo não é tão bom quanto imaginava porque nos tira o gosto da surpresa, do tal frio na barriga.

Prever o tempo, o tema da redação, o percurso da viagem. Não.Quero ser abarrotada pelo imprevisível, pelo não combinado, pelo bip do whatts às 3h45min, pelo olhar.

A arte do imprevisível. Minha nova paixão. 

22 de fevereiro de 2015

A escrita que não me pertence....

"Só a gente sabe da nossa própria urgência. Só a gente sabe do calo que mais aperta. Só a gente sabe que o calcanhar de Aquiles não é necessariamente um calcanhar. Só a gente sabe quem a gente é e quem a gente deixa de ser a cada vez que expõe uma fragilidade.



Fico aliviada em sentir seu leve abandono e me deixo levar para longe, nisso meus sonhos cooperam com a minha vontade de querer te perder cada vez mais. 
Julguei o seu valor não pelo o que você realmente valia, mas sim pelo o que você valia pra mim.
Errei feio e me intitulei como burra por testar a profundidade de um rio com os dois pés, mas infelizmente eu precisava ser burra para aprender a não ser burra.
Desmascarado e perdido em meio à situação, você sabia que a sua chance lhe havia sido dada e agora só restavam consequências.
Ensandecido pelos olhares, você afirma não gostar de ser vítima, abro seus olhos e te olho com meu olhar mais sincero para te fazer crer de uma vez por todas que essa história não é a mais sua...



Quer saber mesmo? Sinto falta daquilo que nem fizemos e das infinitas coisas que fizemos de conta que faríamos.


Como sentir falta de algo que nunca vivemos? A 'falta' é sinônimo de 'ilusão'? A ausência de sentir algo que apenas achamos que era daquele jeito. Entre tantos textos, estas frases fazem sentido, ganham meus aplausos e aquela ponta de certeza de que 'falta', não fará mais. A escrita que não me pertence...




...é a que me define.

14 de janeiro de 2015

Maktub

Vem de repente. Simplesmente vem. Chega. Simples assim. Uma simplicidade que assusta, que acanha, acarinha. Aí aquela velha pergunta chega em busca de mil respostas e, sem no darmos conta, é algo tão simples, mas tão simples, que é a prova de que somos nós que complicamos as coisas. 

Vem sem hora marcada na agenda, sem lembrete no celular. Aparece. Acontece. Simples, né? Do mesmo jeito que vem pode ir (ou não). Podemos tropeçar, nos enroscar, nos perder mas é bom, assim a gente aprende de novo e de novo e de novo. Nada, na-da vem ao acaso. Nada chega de surpresa. Tudo tem sentido, nexo, conexão porque era pra ser. Estava lá. Aí você pode se perguntar se eu não acredito em destino. Acredito cegamente. Aí você pode se perguntar se eu não acredito em livre arbítrio. Acredito fielmente. Duas coisas que andam de mãos dadas. Está no destino e pelo livre arbítrio tornamos as coisas positivas ou negativas. Uma escolha.

"Tinha que acontecer", "tava escrito". Vai, desencana, aproveita, deixa acontecer, deixa chegar mais e mais porque cada 'chegada' é uma surpresa, um presente, é único. 






31 de dezembro de 2014

Vá em frente

Há um ano escrevi um texto para ele, onde agradeci. É. Agradeci o que ganhei, o que tenho e até o que ainda não havia chegado. O ano passou, não tão rápido, mas em um ritmo diferente. Em um ritmo que teve seus altos e baixos e que, a cada curva, um aprendizado.
 
Ano novo sempre é especial porque sempre falamos que iremos mudar. Sempre prometemos coisas para nós e até para os outros. Sempre acreditamos que tudo vai ser diferente. Me incluo porque sempre fiz isso mas por ser este ano, pelo que está por vir, resolvi fazer 'diferente'. 2015 antes mesmo de chegar é especial por alguns motivos e digo que, há muito tempo, não sentia um frio na barriga com a virada porque algo me diz que esse VAI ser diferente.
 
Aha. Diferente. Diferente porque EU resolvi que seja, com atitudes, posturas. Ouvir mais, falar menos, demonstrar no limite, ser sincera com os outros, mas principalmente comigo. Um ano para me amar. Um ano para focar no que quero, onde quero chegar. Tantos e tantos sonhos que quero que se tornem reais, mas pra isso EU preciso mudar.
 
Uma das mudanças começa agora. A escrita será mais curta para que os desejos fiquem apenas comigo. Um ano em que uma entre tantas frases tem sentido: faça acontecer, seja o que for, mas FAÇA.
 
"Esteja livre para planejar e deixe tudo que é de bom chegar.
Colecione novas experiências e explore novos lugares.
Não hesite em aproveitar cada momento.
Faça o que quiser no seu tempo.
Mas FAÇA acontecer."
 
Vem, 2015. Aliás, 2015, tô chegando.

 

31 de outubro de 2014

Virar a chave

Estafa. É assim que ando. Tô com aquilo que chamam de cansaço mental. Cansada da monotonia, da rotina. Estafada lembra estufada que quase quer dizer a mesma coisa no meu caso. Cada um tem a sua maneira, aquele jeitinho de levar, encarar, viver os desafios do trabalho e da vida pessoal. Aquele jeitinho de esconder a paixão, de ter que saber não demonstrar o que está sentindo para não magoar e/ou decepcionar alguém, de andar sempre na linha. Cansei. Estafei.

Somos bilhões no mundo e cada um - cada um - é de um jeito. Jamais teremos duas pessoas iguais, nem mesmo os gêmeos mais univitelinos do Universo são, aliás, estes geralmente são os mais diferentes. Se é assim que é, como alguém vai querer que a gente seja igual a ela só porque ela acha 'certo'? Como concordar com ações que vão além dos meus princípios (eu disse meus princípios)? Minha personalidade não aceita algumas coisas e pode me chamar de cabeça dura, teimosa o que for, mas não admito ter que fazer algo que não quero e não admito ter medo de dizer isso.

Estafa. Cansei de, mais uma vez na minha vida, guardar certas coisas, de não fazer outras tantas. Não cansei de falar o que penso e sinto e não cansei de fazer muitas outras, mas ainda tem mais, muito mais e a estafa não me permite, neste momento da minha vida, realizá-las. Para quem acredita na tal 'crise dos X anos', penso que pode ser um pouco disso também e digo mais: se realmente for, o bicho é complicado.

Difícil eu escrever meus textos na primeira pessoa, mas a estafa me permitiu fazer isto. Me permitir. Escrevi um texto em 2011 e que é tão atual. Ele é curto, simples e vale a citação.


Permita sentir. Permita que a emoção fale um pouquinho mais alto que a razão. 
Permita fazer aquilo que vem em primeiro lugar na mente, a vontade própria. 
Permita realizar o desejo, o seu desejo.
 Permita curtir cada segundo de um olhar, um momento, momento. 
Permita sentir aquilo que está ali na sua frente, ao seu lado. 
Permita que a dúvida saia sem dar satisfação e não permita que ela volte. 
Permita viver aquilo que sempre teve curiosidade, mas ainda não havia aparecido a oportunidade. 
Permita ser o que você é.
Permita que a sua essência seja apreciada.
Permita. Permita que tudo isso chegue em você para ficar pelo tempo que for.

Mas para isso, você precisa - apenas de uma coisa - se permitir.

Sabe o que é mais curioso? Este texto foi escrito no dia 31 de outubro de 2011. Há 3 anos 'eu falei pra mim mesma': permita-se.Te permite viver, fazer, sentir o que quiser, do jeito que achas que tem que ser. Faz. Se tiver que quebrar a cara, quebra, mas pelo menos tu fez, Carol. A vida vai dando sinais de quando é hora de parar, de começar, de arriscar, de tentar a sorte. A minha estafa é um desses tantos sinais que a vida me deu até então.



A tal crise dos X anos pode até tentar chegar, mas me derrubar, vai ser difícil. Ela pode até estar mexendo comigo, de forma positiva/negativa, porém tento tirar disto as coisas que são para o nosso bem, mesmo as mais doloridas. Se alguém sai da tua vida é para outra ainda melhor chegar. Se um ciclo encerra, outra ainda melhor começa.

Estafa. Que bom que chegastes, estás fazendo uma bagunça danada na minha vida (em to-dos os sentidos) e é aí que, de novo, algo surge pra dar aquela virada de chave, de vida, de destino. Ao virar essa chave, viro a de muita gente ao meu redor. Resta saber se elas é que ficarão com a minha estafa quando assim eu a fizer. Girar a minha chave. Me permitir.



10 de junho de 2014

Amor de alma.

"Meu amor.

Hoje escrevo para ti com o desejo que a tua mamãe leia o quero te dizer. Escrevo para que, daqui alguns anos, possas ler sozinha estas palavras. No dia em que nascestes, escrevi um texto abarrotado de emoção e o título não poderia ser outro: 'Era uma Vez', porque ali começou a tua história, a nossa ligação e tenho certeza que, ao leres, vais entender um pouco do amor que sinto por ti.

Hoje venho dizer que há dois dias, mais uma vez conseguistes com que me emocionasse, ao ouvir tua voz que é tão doce quanto tu, a frase: 'vem cá, dinda'. Ah, Maria, se soubesses o quanto mexeu comigo, o quanto fizestes todo este amor triplicar dentro de mim, acredito que poderia ter ficado horas e horas ouvindo a mesma frase. O melhor disso tudo é que esta foi apenas a primeira de muitas frases e emoções que me darás. O texto é bem meu para ti, porque se contasse o amor que plantasse em várias pessoas, daria um livro.



Minha pirulita, quero te dizer que sou uma mulher ainda mais completa porque a tua mamãe me deu este presente que, mesmo após quase três década de convívio, acredito que ela não tenha a real dimensão do que é ser tua dinda, a emoção e orgulho que é ver  tua carinha e pensar: ela é um pouquinho minha também. Teus pais te desejaram tanto e como tua mamãe escreveu, escolhestes eles para vir nesta casa chamada Terra e para a felicidade das famílias Graziadei e Figueira, não poderias ter escolhido melhor lar para aprender o que é amor, o que é família.


Queria escrever mais, mas não dá. A dinda babona está derretida em lágrimas, porque é o segundo ano que não passo este dia ao teu lado, te afofando, beijando e dizendo: óh, eu te amo, tá? Que possamos ser amigas, confidentes e que eu possa te ensinar muitas travessuras, afinal, dinda é pra essas coisas. É minha princesa, todos nós somos sortudos por teres vindo para nós. 
Tô aqui. Sempre estive. Te amo. Feliz aniversário. 
Ah, daqui 365 dias, terá mais um texto, mais um capítulo da tua história.

Um beijo recheado de amor.

Tua dinda, Carol."