24 de janeiro de 2013

Eu já...

Sou uma aquariana que veio ao mundo para aprender muita coisa, como todo mundo. Aprender a dividir, a ser gentil, a saber respeitar, ter sentimentos. Aprender que não somos corpo físico, somos alma e se somos alma, temos que entender que todos os outros seres que habitam essa casa chamada Terra também são feitos assim. Uma das coisas que viemos aprender é que ninguém é igual a nós. Ninguém. Somos seres únicos, peça exclusiva, o que deixa tudo ainda melhor porque viemos encontrar aquela parte que falta. Os opostos se atraem? Sim, mas e as partes iguais? Ainda mais. O buscar o que nos falta é se completar, nas horas boas e ruins. Aquilo que nos faz bem, em todos os sentidos. Não adianta buscarmos algo que nos complete apenas em uma parte, senão, o quebra-cabeça nunca estará completo. A parte que nos faz bem pode ser boa, mas sozinha, ela não tem graça. 

Entre tantos aprendizados, um deles é buscar tudo isso em outra alma. Dizem que quando as almas são 'gêmeas', no primeiro olhar elas se reconhecem, se 'reencontram'. Só que a vida, infelizmente, não é essa 'eterna busca' como disse Seu Jorge certa vez...a vida tem que ter outros sentidos, valores, incentivos. A vida tem que ter outro sabor e não podemos ficar reféns dessa constante caça ao tesouro. Crescemos ouvindo a frase 'tudo tem seu tempo, tudo vem na hora certa'. É, até vem mesmo, mas não podemos culpar o tempo por demorar demais ou ser rápido demais. Poderia passar horas falando sobre isso; na internet, textos sobre esse assunto não faltam, mas isto é o que penso e sinto sobre o assunto. Trilho meu caminho, vivendo cada dia bem melhor do que o outro, mesmo com os tropeços. Ah, eles servem para repensarmos, olharmos mais para os lados, para o chão para não cairmos de novo. Se isso acontecer de novo, a gente vai levantar sempre, mesmo que doa.

A frase que abre meu blog é de uma escritora que já me declarei fã não sei quantas vezes. De todos os livros que tenho, de todos os textos que li, esse é - de fato - o mais certo. Como disse John Mayer uma vez, quando ele escuta uma canção que gosta, sente uma ponta de decepção, por não ter conseguido escrever aquelas palavras, colocar na sua guitarra aquelas notas. Assim que me sinto com relação ao texto abaixo, porque tem tanto de mim ali, que não tem como esconder. Ah, e não escondo mesmo. Jogar, não é comigo.


 "Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.

Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia. Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz. Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".

Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.

Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que vou dizer: - "E daí? Eu adoro voar!"

Clarice Lispector

28 de dezembro de 2012

Quando o vento sopra.

Relendo meu blog, percebi quantas histórias compartilhei. Umas contando momentos vividos, outros momentos imaginados.Outros, os chamados 'feelings' que no fim, serviram como lição. Este ano deixei o Bubble um pouco de lado, não por falta de tempo, mas de coragem para expôr muitas coisas. São quatro anos compartilhando tantos momentos, em que muitos não lembrava. Alguns tive vontade de apagar, mas para quê? O blog é como um livro, não posso apagar o que foi escrito, o que vivi na pele. Alguns trazem momentos de nostalgia, outros de felicidade extrema por tê-los experimentado nessa vida.

Um ano atípico e totalmente como planejei há um ano. Quando escrevi  'Axé' até pensei que meu ano seria especial, mas o que o Cara me reservou foi além do que poderia imaginar. Deixei de compartilhar tantas coisas aqui por um motivo: preferi deixá-las apenas comigo. Preferi contar, recontar e relembrar sozinha de tudo que passou nestes 362 dias. Daqui três dias o meu novo axé será publicado com alguns destes momentos e meus desejos e metas para o ano 13, número o qual gosto muito.

Músicas, viagens, pessoas, momentos, histórias. Tudo isso passou, muito ficou e espero que muito do que chegou no ano em que o mundo não acabou fique..pra sempre. O título diz muito, porque quando ele sopra a favor, não há nada que possa deter o que está dando certo, em especial o que já deu.


9 de novembro de 2012

O bonde e seu livre arbítrio.

Há dois meses preciso escrever. Há 60 dias necessito me expressar. Há oito semanas crio coragem para digitar estas palavras. O tempo dos verbos não está errado. É no presente e está mais vivo do que nunca. Mudar significa mexer. Mudar o quarto quer dizer que troquei algumas coisas de lugar..Mudar o cabelo pode ser uma forma de sacudir o visual. Mudei e mexi toda uma vida..a minha e de várias pessoas ao meu redor. Há dois meses saí do sul e fui para o centro. Mudei. Arrumei as malas e parti. A frase 'sair de baixo da saia da mãe' sempre fez parte do vocabulário de qualquer pessoa que se julga independente, que quer demostrar para si e para os outros a capacidade de andar com as próprias pernas..o que ninguém sabe é que quem realmente move 'as pernas' são os sentimentos. 

Sempre quis andar com as minhas, 'mexer', mudar o meu mundo. Fiz planos, foquei onde queria e fui..me joguei do penhasco e não caí. Aliás, posso dizer que caí na direção que planejei mas não imaginei o quanto seria bom e também difícil. Já escrevi sobre livre arbítrio e o acionei para uma das decisões mais difíceis da minha vida..e acertei. Com isso, ganhei muito, mas como tudo na vida tem dois lados, perdi outras. Há dois meses ensaio para dizer o quanto mudar é bom, porém NADA fácil. Mudar dói, aquela dor igual quando a 'saudade' resolve doer, sabe?. Dói na alma. Deixar uma vida inteira para começar outra..quem não quer isso? Tudo novinho, cheirando alecrim, com todo gás e aí alguns vão dizer: 'ih, tá chorando de barriga cheia', mas não. Tudo é bom, é necessário, mas dói.

A gente sempre acha que sabe tudo, que está preparado para tudo. A gente acredita que do dia para noite vai melhorar, amenizar quem sabe. Pois não.

Há dois meses quis dizer que no dia 7 de setembro dei meu suspiro de "independência' e cheguei nesta terra no outro dia cheia de malas, anseios, dúvidas e cheia de saudade da minha outra vida que ficou lá. Cheguei e fiquei. Vou ficar. Sei que aqui é o meu lugar agora. Amanhã, não sei. Aquela vida ficou mas só de pensar dói, dói muito. Dói saber os momentos que não estou por lá, de pensar nos que ficaram. O que conforta é que a escolha que fiz - repito - foi a mais certa. O bonde, às vezes, não passa duas vezes no mesmo lugar e  como já vivi uma vez, resolvi não arriscar e seguir estes trilhos. 

Hoje, justo hoje resolvi reler a história de uma das amigas que moram longe de mim e cabe aqui a quase cópia com algumas alterações do que ela escreveu sobre a palavra que existe somente na língua portuguesa  e que todo mundo sabe muito bem o quanto ela maltrata quando quer.
Assim é que me sinto hoje, uma mescla deste texto escrito por mim, e deste desabafo direto de Las Vegas. 
Saudade dói. Mudar é bom, não necessariamente nesta ordem.

"Estar longe de casa naquele momento não fazia nenhum sentido para mim e foi difícil evitar a pergunta "o quê eu estou fazendo aqui?". A resposta eu já sabia. [...]. Assim, apenas o pensamento, a pontinha de dúvida, a pergunta recorrente, me encheu de culpa. A culpa de ir embora e deixar a família e os amigos [...] Naquele final de semana, fiquei com o coração apertado por não estar lá e fiquei com o coração apertado por querer estar lá. Quanto aperto! 


[...]. Um viva para a tecnologia. Não me senti tão longe. Até porque estar longe é diferente de estar distante. De uma forma ou de outra, eu sempre me sinto muito perto das pessoas que são importantes para mim. No entanto, aquele final de semana foi uma prova de todos os bolos de aniversário que eu vou perder. Todas as festas de casamento, batizados, formaturas que eu não vou comparecer, [...]. O mais provável é que eu não esteja presente, uma verdade difícil de lidar e acho que nunca vai ficar mais fácil. Acredito que com o tempo, algumas coisas vão melhorar, talvez a saudade de casa se amenize. Porém, o fato de estar ausente em determinados momentos vai doer para sempre. Mas, eu gosto de pensar que as coisas acontecem na vida da gente do jeitinho que elas tem que acontecerem.[...]

Mesmo assim, vou continuar não podendo estar tão presente o quanto eu gostaria, mas confesso que a notícia foi um conforto e tanto. Foi um abraço da vida, dizendo, viu, eu sei o que eu estou fazendo contigo. Segura a tua onda, Fabiana." "Carol".



10 de junho de 2012

"Era uma vez".

A gente nasce, cresce e vive para aprender muitas coisas, uma delas é sentir algo chamado emoção. Tantas vezes que escrevi sobre sentimentos, dos mais diversos, me faz pensar que nenhum deles é tão forte quanto a emoção. Por 27 anos convivo com uma pessoa que é parte de mim. Fomos "escolhidas" para nascer na mesma família, e sabemos que nossa ligação não é só de hoje. Brincamos de boneca, aprendemos a nadar juntas, assim como andar de bicicleta.  Trocávamos cartas, o corte de cabelo tinha que ser sempre o mesmo quando vinha passar as férias de verão na casa da vó para não dar problema..ah, e as roupas também precisavam ser  iguais. Fizemos festas, viagens, e até a mesma faculdade. 

O tempo foi traçando o seu legado e nós crescemos. As meninas viraram mulheres, cada uma com sua vida mas SEMPRE, uma ligada na outra. Viramos adultas, ela casou e com isto ganhei o primeiro presente: ser madrinha perante ao altar; testemunha de uma história que acompanhei desde o início e que me enche de orgulho só ao escrever estas linhas. 

27 anos anos de convívio e hoje, na madrugada mais fria do ano, ela me deu o segundo presente: ser a segunda mãe da criatura mais doce que meus olhos viram até hoje,;que meu coração bateu mais forte; que me emocionou. Ela se tornou uma mulher completa, gerou uma vida e resolveu dividir comigo, mais uma etapa e desta vez, para TODA a vida: ser a dinda da sua obra-prima, do seu amor incondicional, da sua pequena. Eu sinceramente, destes quatro anos de blog, onde dividi tantos momentos esta é - disparada - a maior emoção que senti. Não sei explicar o que foi o meu dia, 10 de julho de 2012. Tudo o que estou sentindo, que está apenas começando é tão, mas tão bom, que eu realmente devo ter feito algo muito bom para o Cara lá de cima me dar tantos presentes, tantos momentos únicos, com pessoas únicas. Minha prima, minha irmã de outras caminhadas, minha afilhada, minha comadre. Minha metade. 


Hoje senti o verdadeiro significado da palavra emoção. E de amor incondicional também. Te amo, bisca. Juntas, para sempre. (e assim começa a história de uma princesa).

19 de maio de 2012

Honestly

Os seres humanos morrem de medo de duas coisas: da morte e da sinceridade. Todo mundo um dia vai passar por estes dois momentos, mas arrisco a dizer que a sinceridade é o que mais assusta. As pessoas até se ‘preparam’ para a passagem, mas ouvir algumas verdades não é o forte da raça humana. Ser sincero consigo mesmo, então...é para uma pequena minoria (e neste caso, merece a redundância).

Hoje, tudo é muito rápido, tudo a base de um clique, ou melhor de um ‘touch’ e já era. A geração da modernidade também está aprendendo a ser rápida em todos os sentidos..na troca de emprego, de celular, de carro, de amor. Com base nesta rapidez, alguns malucos ainda se arriscam a lançar algumas sinceridades no meio do caminho. A verdade é que ninguém está acostumado a ouvir a verdade, aquela que está ali, sem panos nem cortinas, sem eira nem beira, sem enrolação. A verdade é que as pessoas prezam tanto a transparência, mas na hora em que esta se apresenta, a primeira reação é fugir. Tapar os ouvidos, se fingir de morto, do tipo ‘não é comigo essa conversa’. Claro, é mais fácil fugir..não encarar, não ter personalidade para escutar o que o ‘outro’ acha da gente. Não é fácil se enxergar no outro, ou melhor, não é fácil a gente querer enxergar o que o outro sente e/ou acha de nós.


A sociedade de hoje não está pronta para ouvir a verdade, a sinceridade como um todo. É uma pena. Eu que cresci ouvindo que com a sinceridade as portas do mundo abrir-se-iam em um piscar de olhos, percebo que as coisas não são bem assim, mas não vou desistir de abrir as portas que realmente quero com a minha verdade. O que sei é que não posso mais fingir que esta ‘verdade’ está bem no lugar que está..guardada. é hora dela aparecer, sair, ser revelada. Mesmo com aquele frio na barriga do ‘será que vai dar certo’, vale a pena arriscar. Já dei muito passos para trás por causa desse frio..hoje, isto não serve mais. O mundo gira quase que na velocidade de um touch. A única diferença do touch para a minha verdade, é que ela não passa, ela fica. 

15 de maio de 2012

Fazer ou receber, eis a questão.

Como é bom fazer carinho em alguém. Como é bom ver aquele sorriso de leve no rosto ao receber o carinho. Fazer um carinho é tão bom quanto receber, e vice-versa. O carinho que vem com um olhar, ou é um olhar. Que é um sorriso sincero; pode ser apenas o toque forte de uma mão com a outra. Pode também ser aquela passada boa no cabelo, um cheiro no pescoço ou o que mais a sua imaginação permitir. Carinho sincero vale em dobro, e se é recíproco então..

Carinho bom é aquele que arrepia, que desperta sentimentos, sensações. Carinho de mãe com um colo bom; carinho de pai com conselhos que valem para toda vida; carinho de ombro-amigo; de alguém que realmente quer dar apenas, carinho.

Até a palavra passa isso, ‘ca-ri-nho’. Sou meio avessa à palavras no diminutivo, mas este ‘inho’ merece destaque. Apesar de tudo, só sei que quando o carinho toca a alma, é aí que posso dizer com toda certeza: esse sim é especial. Pense, quando você for fazer e/ou receber um carinho, tente senti-lo na alma. Vale a pena.